Um exercício que poderá ser interessante fazer consiste em perceber quantos "seres" fazem parte do nosso leque de vizinhos... quem são, onde estão e o que são em relação a nós! Da última pesquisa, rápida, confesso, ao dicionário, a palavra "vizinho" não tinha sofrido quaisquer alterações. Continuava a ser a tradicional pessoa com quem, antigamente, partilhávamos o espaço comum, urbano por natureza, segundo a "terminologia" e tantas vezes semelhante... até nas compras que fazia.
A lógica de perpetuar esse conceito fará todo o sentido se almejarmos um estatuto que a própria palavra encerra, na lógica das unidades residenciais que, outrora deram origem à dita terminologia. Ou então se pretendermos continuar a dizer "olá, bom dia" ou "bom fim-de-semana", coisa que, mais que não seja, e por uma questão de educação, já não se ouve tanto quanto isso.
O que agora dividimos, mais do que o espaço físico com alguém que mal conhecemos é um espaço diferente. Com as devidas ressalvas, bem entendido. E é um espaço em que até conseguimos ver e ouvir quem está do outro lado. E até sabemos quase tudo sobre essas pessoas ou, pelo menos, o que elas nos deixam (entenda-se querem) que nós saibamos. Trata-se, efectivamente, de um ser existente, fisicamente, mas distante no espaço, que é claramente (para alguns) mais atraente porque é, resumidamente, mais "confortável".
E esse conforto é, tantas vezes, tão egoista...
por isso gostei TANTO de estar em Maputo: toda a gente me dava os bons dias e as boas tardes, tal como acontece aqui, na minha aldeia. e isso, sim, é conforto
ResponderEliminarBravo!
ResponderEliminarSem tirar nem pôr.