"Agora não posso" ... "amanhã não dá jeito"... "para a semana talvez seja melhor". Independentemente da desculpa ou da companhia, há quanto tempo não contemplamos o que quer que seja? No sentido mais abrangente da palavra, apreciando, a seu tempo, o que "o criador" decidiu fazer, podendo mesmo até esquecer o porquê... Seja uma fotografia, uma paisagem, uma rua, uma praia, uma pintura, o que quer que seja... e pensamos sobre isso ou até sobre o que isso nos pode fazer sentir, pensar ou recordar?
Coloquemos a razão de lado. Até por isso, a contemplação acaba por ser uma coisa boa. Não precisa de ser justificada pela lógica racional. Serve até para nos abrigarmos nesse cantinho onde ninguém poderá perguntar: "então mas afinal... porquê?" Não! Isso não é suposto acontecer, até porque a contemplação é uma actividade auto-suficiente na sua própria existência... e tem contornos tanto de natural como de "ingénua". Gosta-se pela simples actividade que encerra em si mesma! Já dizia um senhor (há muitos anos) que a contemplação seria a maior felicidade alcançável pelo espírito humano. Não por ser um estado, mas uma actividade (que apesar de não poder ser realizada incessantemente) só poderia ser efectivada através da utilização "elevada" do nosso intelecto.
Fazendo crer que daí poderemos até retirar alguma ideias, alguma paz ou alguns pontos de (re)equilíbrio, seja intelectual ou emocional, certo é que a contemplação não nos deixa indiferentes. E isso é sempre salutar - termos reacção, respostas a estímulos, etc... O que parece estar a acontecer é uma generalizada demissão do acto de contemplar (não necessariamente propositada ou voluntária) mas que vai servindo para datar as conversas sobre fotografia, pintura, escultura - e até cinema - num espaço com muita idade, como se a produção tivesse (quase) deixado de existir. E não é necessariamente falta de cultura visual ou artística...
Gostos à parte, (e em época de World Press Photo), se percebermos que a própria actividade de contemplar algo serve para dar mais elasticidade ao nosso cérebro, teremos uma razão para, por si só, justificarmos a próxima ida a uma qualquer exposição. Se não for esse o caso, e porque a razão não é para aqui chamada, então façamo-lo porque gostamos mesmo do que vamos ver. Aí sim, o estágio máximo a que se referia "o senhor antigo" será, supostamente, atingido.
Procrastinar, portanto... :)
ResponderEliminarjá ficava contente se as pessoas olhassem, em vez de ver. e reparassem. naquilo que as rodeia.
ResponderEliminarmas no que respeita a arte e a exposições (a fotografia é uma paixão minha)sinto que por não haver um imediatismo nessa contemplação, por requerer disponibilidade e vontade de ir além... não há hipótese de vencer perante a rapidez do «like» que se faz no facebook. e que se faz tantas vezes sem saber porquê.