sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

"Os gajos..."

É uma expressão comum... "os gajos" são tudo e não são nada, mas sempre ao mesmo tempo, curiosamente. Indissociáveis duma qualquer conversa de almoço ou jantar, mesmo que seja por pouco tempo. Ou mesmo entre um café e um cigarro. Ainda que haja tempo, durante a semana, para se discutir sobre alguns assuntos, facto é que, saber quem faz o quê, não é muito importante nos tempos que correm, até porque serão eles... "os gajos" os culpados de tudo. Então vejamos de que é que eles têm culpa. Ainda agora ouvi: "epá, os gajos agora com esta cena do Carnaval entalaram-me bem"... e logo de seguida... "epá, e então aquela cena que os gajos agora inventaram dos pórticos ou o canéco..." e alguns minutos depois: "ouve lá, tu tem cuidado que agora os gajos estão a apertar com os limites dos pagamentos". Isto tudo em locais diferentes da mesma Lisboa.

Ou seja, "eles" serão maus, muito maus, ao que parece... são uma forma de "Zé", mas no plural, provavelmente vestidos de fato escuro e gravata lisa mas colorida, e que andam pelas zonas nobres da cidade, de carro, uns até com motorista privado. Ou então são a simples normalidade da sociedade e um bando (sim, porque actuam em bando) que, refestelados nas poltronas dos seus gabinetes decidem, de livre arbítrio, sem rei nem roque, o que bem lhes vai na alma para definirem o que de melhor, pensarão "eles" para (des)coordenar a maquete.

O certo é que "os gajos" vieram para ficar e serão, doravante, mais citados do que nunca. Em tempos como os de hoje (seja lá isso o que for), dá sempre mais jeito generalizar do que apontar o dedo, mesmo que se saiba a quem apontar - pode não dar muito jeito para um qualquer familiar. Assim, "os gajos" são uma matéria viva mas incógnita no sentido físico, e até humano, do termo. Não sabemos quando pegam ao serviço, onde trabalham, com quem comunicam mas são, certamente, um dos ícones mais citados dos nossos tempos...

1 comentário:

  1. também conhecidos por ELES, os gajos são uma entidade estranha da qual todos nós fazemos parte.

    mas têm as costas tão largas e é tão mais fácil apontar as culpas para «longe»...

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